Frustração. Esse foi o sentimento dos representantes de populações impactadas pelos projetos financiados pelo BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Reunidos no dia 25 de novembro na sede do banco, o grupo de lideranças sociais foi recebidos pelo presidente da instituição, Luciano Coutinho, mas não saiu com nenhuma de suas reivindicações reconhecidas. Assista aqui a reportagem produzida pela Plataforma BNDES e veiculada na TV Brasil.
A construção da Hidroelétrica de Belo Monte no rio Xingu, na Amazônia, tem a ver com produção e segurança energética do país, sem dúvida. Mas está longe de ser algo restrito à avaliação de engenheiros, economistas e dos nossos gestores da política energética. A hidroelétrica parece um símbolo emblemático dos rumos do próprio país. Afinal, que país estamos construindo?
Em todos os fóruns críticos sobre os rumos do Brasil, chegamos sempre, mais cedo ou mais tarde, à mesma constatação: a fonte real de poder de todos os países, Brasil aí incluído, é a economia, e não mais os parlamentos nem a Justiça. São nas várias instâncias econômicas do Estado e das empresas privadas que se definem as relações de poder que nos impõe um determinado modo de vida e que, em geral, nos reserva apenas os impactos e nunca as benesses produzidas.
Os particpantes do Seminário Atingidos - I Encontro Sul-Americano de Populações Impactadas por Projetos financiados pelo BNDES formalizaram uma carta, assinada por 56 instituições, à sociedade brasileira em sinal de repúdio ao modelo de desenvolvimento financiado pelo BNDES.
Desde julho de 2007 um grupo significativo de organizações e movimentos sociais se reuniu para formar uma frente ampla para a democratização de um dos principais instrumentos de promoção do desenvolvimento nacional, o BNDES. Essa articulação, que batizamos de “Plataforma BNDES”, é fruto da percepção de que a repolitização da economia parece ser um dos grandes passos a serem dados pela sociedade brasileira em busca de sua democratização e que é hora de darmos a nossa contribuição nas escolhas econômicas que definem o rumo do desenvolvimento do Brasil.