MPX busca novos licenciamentos PDF Print E-mail
Written by Adriana Diniz (Jornal do Brasil)   
Thursday, 11 February 2010 16:19
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SÃO LUÍS, MARANHÃO - A MPX, empresa de energia do grupo EBX, do empresário Eike Batista, quer licenciamento para projetos que somam 10.000 MW de capacidade de produção até o final deste ano, informou quarta-feira o presidente da empresa, Eduardo Karrer. A MPX já tem três termoelétricas no Nordeste, em estágio avançado de construção, com início de operações previsto para janeiro de 2012, além de usinas já licenciadas no Porto do Açu, no Rio de Janeiro, e no Rio Grande do Sul, que ainda não começaram a ser construídas. Até o primeiro semestre de 2012, Itaqui (Maranhão), Pecém I e Pecém II (Ceará) deverão estar prontas para gerar 1.440 MW.

Os investimentos nas três usinas do Nordeste já somam R$ 2,2 bilhões até agora e outros R$ 1,3 bilhão deverão ser investidos este ano. Até 2012, a quantia deve ultrapassar R$ 4 bilhões. De acordo com Eduardo Karrer, esses empreendimentos já têm contratos firmados por 15 anos, com 32 distribuidoras de energia do país. A previsão é de que a receita anual das usinas chegue a R$ 720 milhões após a entrada em operação.

As termoelétricas, no entanto, devem ficar prontas antes do início de vigência dos contratos com as distribuidoras. Isso pode render ainda mais para a empresa, que terá chance de vender a energia excedente no mercado direto. A MPX Itaqui, no Maranhão, com início de operação contratado para 2012, já está com 50% do empreendimento concluído e deve ficar apta para operar em setembro de 2011. As outras duas usinas do Ceará deverão estar prontas logo em seguida, outubro e novembro, e só têm contrato com distribuidoras a partir de maio de 2012.

Emissão de gases

A termoelétrica de Itaqui, que recebeu aporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (bndes), do Banco do Nordeste e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, foi muito criticada por ambientalistas, já que órgãos governamentais investirem em um projeto movido a carvão, prejudicial ao meio ambiente. Para conseguir as licenças ambientais, a empresa precisou investir 30% dos R$ 1,8 bilhão dos recursos do projeto em redução de impactos ambientais, como controle de emissão de gases. Do total, R$ 1,038 bilhão vieram do bndes e R$ 200 milhões, do Bando do Nordeste.

Para as três usinas do Nordeste, a MPX garantiu emissões de gases de acordo com padrões estabelecidos pelo Banco Mundial, bem mais rigoroso que os órgãos brasileiros, destacou Karrer. Por meio de um processo químico que limpa o gás produzido na queima do carvão, com substâncias como cal e água, a empresa promete reduzir em 98% as emissões de dióxido de enxofre, 90% da emissão de óxido de nitrogênio e em 99,99% nas emissões de material articulado (poeria). De acordo com a empresa, os resíduos sólidos resultantes desses processos, serão transformados em matéria-prima para a produção de cimento, pavimentação de estradas e fertilizantes para agricultura.

– Tudo tem sido criticado hoje em dia: energia eólica interfere na migração dos pássaros e atinge dunas; hidrelétricas prejudicam o ecossistema de rios. O importante é investir em tecnologias modernas para diminuir os impactos – defendeu Karrer. – Quando temos como parceiros esses bancos, que são rigorosíssimos com a questão ambiental, é como um selo de qualidade. Tem muito desconhecimento nas críticas. Daqui a um ano, quando estiver saindo fumaça da torre de Itaqui, o que irá se ver é apenas vapor.

Qualidade do carvão próprio deve favorecer preços baixos

A água utilizada nos processos de resfriamento das caldeiras será bombeada do mar, na área do Porto de Itaqui, que fica a cerca de quatro quilômetros da usina do Maranhão. Pelo mesmo local, chegará o carvão que será usado pela companhia, proveniente de minas da MPX na Colômbia. De acordo com o presidente da empresa, o carvão colombiano é considerado de alta qualidade, por ter baixo teor de enxofre e nitrogênio.

– A qualidade do carvão, somada ao fato de a empresa utiliza matéria-prima própria, vai garantir um preço competitivo da energia. Isso fará com que a gente ganhe em volume de comercialização, compensando os gastos com controle de emissão de gases – destacou Karrer, acrescentando que a produção de carvão na Colômbia é suficiente para pelo menos 30 anos de produção de energia, nas três usinas do Nordeste e também em todos os outros projetos da empresa.

Energias alternativas, como eólica e solar, também estão no foco da empresa, que tem projetos em áreas no Ceará e no Rio de Janeiro aguardando licenciamento. “Pretendemos entrar forte em leilões de energias alternativas este ano”, afirmou Karrer. “O que a gente não pode deixar de fazer é diversificar a produção de energia, para ter uma segurança”.

Belo Monte: dois consórcios na disputa da usina

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse quarta-feira que dois consórcios vão disputar a concessão da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará: um liderado pela Andrade Gutierrez e outro, pela Odebrecht.

– A Andrade vai com construtoras menores, e a Odebrecht com a Camargo Corrêa. A Eletrobrás entra antes ou depois do leilão, mas estará lá também – afirmou Lobão.

O ministro reforçou a intenção do governo de realizar o leilão da usina de 11 mil megawatts em março. Segundo Lobão, a mineradora Vale, maior consumidora individual de energia do país, também está conversando com algumas construtoras.

Lobão está confiante sobre a realização do leilão, apesar dos protestos contrários. Para conceder a licença ambiental, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estipulou 40 condicionantes e uma contrapartida de R$ 1,5 bilhão.

Mineração

Segundo o ministro, o governo está buscando uma brecha na legislação para obrigar os atuais donos de licenças minerárias, de áreas não desenvolvidas a iniciar a lavra em curto espaço de tempo ou devolvê-las.

– Se encontrar uma brecha na lei para pegar quem tem licença e não lavrou, vamos obrigar a devolver, como acontece na indústria do petróleo – disse Lobão, sobre o regime de concessão do setor de petróleo, que estabelece prazos rígidos.

– Mas não vamos rasgar contratos – afirmou o ministro, admitindo que a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, detém um grande número de licenças.

Adriana Diniz (Jornal do Brasil)
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