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Informe Plataforma BNDES
Banco divulga informações
importantes, mas insuficientes
Organizações pressionam por reorientação do Banco; setor de energia
tem sido prioritário
Conforme noticiado na edição anterior deste Boletim, o BNDES assumiu
por meio de carta encaminhada ao Ibase o compromisso de que tornaria
pública toda sua carteira de projetos, através do seu site
institucional. Em fevereiro de 2009, o Banco finalmente disponibilizou
na internet toda a sua carteira de projetos
ver a
seção.
No segundo semestre de 2008, avançou-se também em duas das cinco
agendas setoriais inicialmente acordadas com a presidência do Banco.
A questão energética se
apresentou como agenda prioritária, seja pelo aumento de demanda posta
pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo
brasileiro, seja pela conjuntura internacional de busca de
alternativas aos combustíveis fósseis em função dos seus impactos
sobre o clima do planeta. Organizou-se, então, no contexto da
Plataforma dois grupos de trabalho voltados a incidir sobre as agendas
do etanol e das hidrelétricas.
Com esta perspectiva o
GT Etanol, que envolve a participação das principais organizações
atuantes no campo (Fetraf, MST e Contag), construiu uma agenda
propositiva para a construção de parâmetros e critérios
sócioambientais que deveriam pautar os financiamentos do Banco para o
setor. O GT elaborou, com o apoio do Ibase, uma proposta de construção
de um sistema de indicadores que permita o monitoramento local dos
impactos da produção do etanol em áreas de fronteiras de expansão
(Sudeste do Mato Grosso do Sul e Sul de Goiás –
veja
aqui a proposta).
O GT iniciou o trabalho de campo em Mato Grosso do Sul, realizando uma
primeira sondagem com os atores locais para avaliar a oportunidade de
se montar o sistema de monitoramento na região, bem como identificar e
circunscrever a microrregião a ser trabalhada.
Esta proposta foi
submetida ao Banco a fim de comprometer sua equipe técnica com a
realização conjunta deste trabalho. Após duas reuniões do GT com a
referida equipe, a chefia de gabinete da presidência do Banco
respondeu em carta remetida ao Ibase que, embora não se comprometa
com a realização de um estudo conjunto, estabeleceria um termo de
compromisso no sentido de dispor sua equipe técnica para acompanhar
circunstancialmente o nosso trabalho, bem como abrir canais regulares
de diálogo sobre os resultados parciais do trabalho de campo (
veja
aqui a carta do Banco ).
Além disso, o termo comprometeria o Banco com a avaliação sobre a
possibilidade de inclusão de indicadores a serem produzidos em nosso
trabalho, já em andamento.
Ao mesmo tempo, o GT
Etanol realizou uma oficina de trabalho a fim de reunir especialistas
que trouxessem acúmulos sobre os impactos da expansão do etanol na
segurança alimentar, no meio ambiente e nas condições de trabalho.
Esta estratégia esteve voltada não apenas a qualificar a atuação do GT
no trabalho de campo e na abordagem do próprio Banco, como também a
incidir no âmbito da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis,
realizada pelo governo brasileiro, em novembro de 2008. A Plataforma
BNDES foi uma das organizações que convocou o Seminário Internacional
“Biocombustíveis como Obstáculo à Soberania Energética e Soberania
Alimentar”, atividade concebida para ser um contraponto à Conferência
Internacional. Por ocasião dos dois eventos a Plataforma BNDES lançou
a publicação “Impactos da Indústria Canavieira no Brasil”, fruto da
oficina realizada (Veja
aqui a publicação).
Em articulação com a ActionAid, Conab e Fase foi também possível
incluirmos no documento de posicionamento do Conselho Nacional de
Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) a agenda da Plataforma em
defesa do estabelecimento de critérios e parâmetros nos financiamentos
do Banco para o setor.
No caso do GT
Hidrelétrica, que envolve o Movimento de Atingidos por Barragens (MAB),
Fórum do Rio Madeira, IPPUR/UFRJ, Rede Brasil, Ibase e Inesc, foi
encaminhado ao Banco, após reunião com equipe técnica, pedido de não
aprovação do financiamento para os projetos de construção das Usinas
de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira. Os projetos, que estavam em
fase de análise, não deveriam ser aprovados enquanto os riscos
presentes nos projetos não fossem eliminados. O pedido está sustentado
em evidências quanto a riscos financeiros, legais, ambientais e
sociais presentes no projeto, em relação aos quais a Plataforma
solicitava também um posicionamento do Banco (Veja
aqui a carta encaminhada ao Banco).
A resposta do Banco,
novamente em carta dirigida ao Ibase, foi bastante insatisfatória já
que o Banco reafirmou de modo formalista seu compromisso com a
legalidade do processo, desconsiderando, por exemplo, o mérito de
ações no ministério público questionando a legalidade de licenças
concedidas para o início das obras (veja
aqui a resposta do Banco).
Em dezembro de 2008, o Banco aprova o primeiro financiamento para
Santo Antonio, no valor de R$ 6,1 bilhões.
O GT Hidrelétrica se
reuniu e preparou uma resposta reafirmando a necessidade de retomada
pelo Banco do compromisso do seu presidente de abrir canais efetivos
de diálogo e não conversações formalistas, sem desdobramentos
práticos. O GT propôs ao Banco uma agenda positiva centrada na
explicitação dos critérios de risco levados em conta por essa
instituição pública em grandes projetos como os do Madeira; a
discussão sobre formas de recuperação de passivos sociais e ambientais
de projetos financiados pelo Banco, bem como a produção de parâmetros para novos
financiamentos; estratégias para aumento dos desembolsos para fontes
alternativas de energia, processos de repotencialização de usinas e de
economia de energia.
A dimensão organizativa
e de publicidade da Plataforma BNDES ganhou um reforço com a criação
do site
www.plataformabndes.org.br . Esse
novo instrumento viabilizou um espaço comum para a troca de
informações, a divulgação de análises, opiniões, materiais
audiovisuais, bem como da própria Plataforma. Ao mesmo tempo, o site
se apresenta como um espaço para divulgação de informações e análises
qualificadas sobre o Banco e sobre o debate do desenvolvimento. O
documento da Plataforma BNDES foi baixado por mais de 11.000 usuários.
No último Fórum Social
Mundial, ocorrido em Belém, a Plataforma BNDES organizou, através do
Ibase, a atividade “Atingidos pelo BNDES”, envolvendo as populações
afetadas por projetos financiados pelo Banco nos setores da
agropecuária, papel e celulose, mineração, etanol e hidrelétricas.
Representantes de populações afetadas por projetos de mineração, papel
e celulose e hidrelétricas denunciaram os impactos que estão sofrendo
por conta da instalação ou desenvolvimento de grandes projetos
financiados pelo BNDES. Os participantes da atividade apontaram no
sentido da co-responsabilização do BNDES com respeito aos impactos
gerados pelos investimentos financiados pelo Banco. Uma das resoluções
da atividade foi a de se organizar, no início do segundo semestre do
ano, um grande encontro nacional das populações atingidas por grandes
projetos.
No final de maio, em
data ainda a ser precisada, as organizações que compõem a Plataforma
BNDES vão se reunir no Rio de Janeiro para debater sobre o tipo de
diálogo mantido com o Banco até o momento e definir novas formas de
atuação.
Edição: Carlos
Tautz e Luciana Badin
Endereço eletrônico:
vetores_desenvolvimento@ibase.br
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